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A primeira vez que vi Harry Boetchner ele descarregava carne do caminhão de seu pai, nos fundos da casa de tia Prune. A última vez que o vi, ele jazia morto aos meus pés.
No Clube Hamptons o sol estava alto, e Caleb, o xerife, saía do estábulo com as feições tensas. Ele ajustou a calça, deixando à vista, por alguns instantes, a barriga protuberante.
— Você chegou bem rápido — comentou Caleb. —
Vim voando! — expliquei, olhando para o Mercedes conversível de Harry, estacionado a distância sob castanheiras seculares.
Caleb fez uma careta enquanto desabotoava a camisa para dar espaço à barriga.
— Que droga! — exclamei indignado. — Agora todo mundo nesta cidade quer ser uma celebridade!
Nenhum de nós ousava olhar para o corpo de Harry.
O cadáver estava do lado de fora do estábulo; a parte de trás do crânio se desprendera do resto da cabeça.
O vento trazia o odor de poeira daquela tarde de meados de agosto.
— O que aconteceu? — perguntei-lhe.
— Aquele maldito cavalo o acertou em cheio! — Caleb explicou-me. — Pisoteou-o bem na cabeça!
Dei meia-volta para observar melhor o corpo. Morto, Harry parecia mais jovem, muitos anos mais jovem. Não era, porém, o mesmo rapaz que eu vira descarregando carne.
— Ele adorava aquele cavalo — comentei.
— Sei disso. — Caleb fitou a sede do clube, em estilo Tudor.
— Harry tinha o hábito de gostar das coisas erradas.

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